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Prêmio
Quality
Reportagem
da Revista Quality
Edição de maio de 2002 - Ano I - N.º 1
Inclusão
Digital
Uma
proposta democrática
A
chamada nova economia, que apresentou conceitos como globalização,
maravilhas como a internet e disseminou o conhecimento em uma escala nunca
vista, é uma realidade que está trazendo para o Brasil algumas
reflexões. A tecnologia, ao mesmo tempo que resolve problemas,
cria um fosso para aquele contingente da população que não
a decifra. A informática certamente é o melhor exemplo.
Há crianças que tratam o computador com absoluta familiaridade
e há adultos que ainda não sabem sequer ligá-lo ou
nunca despacharam algum e-mail para alguém.
A
rápida revolução da tecnologia da comunicação
e informação, em especial nos países industrializados,
também pode significar, segundo recentes alertas da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), um risco para os países
na medida em que determina a exclusão social de uma grande população:
a dos chamados analfabetos digitais. Esta realidade é particularmente
dura no Brasil, onde menos de 5% dos computadores estão conectados
à internet
Para contrapor-se a esta perigosa tendência, o Governo do Estado
do Ceará, em parceria com empresas privadas, organizações
não governamentais e prefeituras de várias cidades do estado,
concebeu e implementou as Ilhas Digitais que, além de receber o
Prêmio Quality 2002, vem causando sensação e despertando
a atenção de todo o País. Inspirado em várias
iniciativas, como o do Farol do Saber de Curitiba, este projeto faz parte
do Ce@rá Digital, uma estratégia para o setor de tecnologia
da informação e telecomunicações que tem o
aval do governo do estado, criado e coordenado pelo Centro de Estratégias
do Desenvolvimento (CED). Todo o processo partiu de uma ampla consulta
a empresários, professores, universitários, empresas, gestores
públicos e formuladores de políticas. A partir daí,
percebemos a importância de facilitar o acesso da população
de menor poder aquisitivo, especialmente a juventude, às novas
tecnologias da informação, sobretudo através da internet,
explica Mônica Amorim, diretora geral do CED.
Já a denominação Ilha ganha uma explicação
interessante nas palavras de Jair Amaral Filho, diretor de Pesquisa e
Desenvolvimento do CED: Podemos traduzir este termo de duas maneiras:
a primeira, porque trata-se literalmente de uma ilha, devido à
sua estrutura física; a segunda, porque é uma homenagem
a Thomas Morus e à sua obra Utopia, que fala de uma ilha onde o
saber, o conhecimento e o espírito virtuoso são valores
predominantes.
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